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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Só estamos mais fortes



Há muito tempo atrás lá estava eu no meu primeiro baile da escola, era legal dançar, conversar com amigos, comer doces... Mas teve um momento em que o som parou e no lugar daquela musica agitada havia agora uma musica lenta, daquelas que você sabe que tem que dançar devagar e de preferencia com alguém. Enfim havia chegado a hora de tirar uma menina pra dançar, eu sem experiência, sem a menor ideia do que falar, mas não tinha outro jeito eu tinha que ir.

Dei uma “scaneada” no salão, e só vi rostos desconhecidos, todas as meninas da minha turma já estavam dançando.
-Agora além de tirar uma garota pra dançar vai ter que ser uma desconhecida, só piora. – pensei.
Até que eu olho pro lado e vejo a Flavia, numa cadeira lá no canto, de todas as garotas da turma era a mais bonita e a única com quem eu não tinha coragem de conversar, mas agora teria que convence-la a dançar comigo, só podia dar merda.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Retrato de uma segunda - feira

1:20h da madrugada de Domingo pra Segunda, eu deveria estar dormindo, mas em vez disso estou aqui pensando sobre a Segunda-feira, o dia mais odiado da semana.

De fato.


Começa com aquela preguiça ao acordar, você até tenta levantar da cama, porém ela te puxa de volta. "Só mais cinco minutinhos" você diz, e trinta minutos depois você vê que não tem jeito e acaba levantando e faz tudo correndo porque você está trinta minutos atrasado.


Agora você já está pronto pra sair de casa e encarar uma das melhores coisas da Segunda-feira o trânsito, que independentemente se você está de carro, moto, ônibus, vassoura, o trânsito vai te pegar. Falando em ônibus, todo mundo sabe (ou não) a tristeza que é pegar ônibus lotado numa Segunda-feira, 248 pessoas num lugar onde deveriam caber 60, o único lugar na Terra (ou um dos únicos) onde dois ou mais corpos ocupam o mesmo lugar, todas aquelas pessoas ali grudadas, naquele calor, suando, porque Sol já começa a esquentar e não tem ar condicionado, todos com aquela cara de sono e querendo que aquilo acabe logo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Velha Amiga



Sinto falta daquele tempo
Oh tempo que não volta mais
Nós éramos tão diferentes
Mas de certa forma tão iguais.

Vivíamos em mundos diferentes
Que até então eu não havia notado
Eu aqui no meu casebre
E você no seu castelo encantado.

Te esqueci por um tempo
Talvez você nem lembre mais de mim
Mas tudo bem se não lembrar
Escreverei mesmo assim.

Ver sua foto me trouxe lembranças
Que parecem não ter fim
Me pergunto se você também se lembra
E se fui pra você, o que você foi pra mim.

Você não mudou muito com o tempo
Seu sorriso ainda tem o brilho de uma estrela
Que infelizmente hoje esta distante
Quem dera eu pudesse tê-la.

Ainda nos veremos de novo?
Eu acredito que sim, algum dia
Talvez numa dia ensolarado
Ou numa noite fria.

sábado, 29 de março de 2014

Personagens da noite

Andar à noite pode ser uma experiencia muito interessante, sempre preferi andar à noite, tem algumas vantagens, o silencio, sem toda aquela agitação das cidades, as ruas sendo iluminadas pelas lampadas e pela Lua cheia, porém pode ser perigoso há coisas que só acontecem à noite ou principalmente à noite, essa é a desvantagem. Mas o interessante mesmo são os personagens da noite desde as “primas” que todos os dias estão sempre nas mesmas esquinas, os manos de rastafári que fazem malabarismo com uma tocha acessa pra os poucos carros parados no semáforo, o mendigo debaixo da marquise enrolado em seu velho companheiro o cobertor que pelo estado ja deve acompanha-lo por alguns anos.


“Todos os animais saem à noite: Putas, depravadas, pederastas, drag queens, michês, drogados, viciados, doentes, mercenários. ”    Travis Bickle – Taxi Driver

Andando pelas ruas escuras cansado depois de um dia cheio, mas não tenho pressa de chegar em casa gosto de observar os personagens da noite e por coincidência um deles esta me observando agora, um cara alto, magro, encostado numa parede com um capuz cobrindo o rosto, com as mãos no bolso do casaco, confesso que fiquei um pouco apreensivo não sabia o que esperar: E se ele quiser me assaltar? – pensei – bom se não tiver armado da pra encarrar, mas se tiver ai fudeu, o jeito é entregar tudo e torcer pra ele não me matar.
- Ei cara. – diz ele.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Chuva de Verão



Deitado em minha cama
Acabo de acordar
E um barulho no telhado
Começo a escutar

Um barulho suave
E que vai aumentando
Cada vez mais
Conforme o tempo vai passando

Um chuvinha tranquila
Sem trovões nem trovoadas
Ouço minha mãe dizendo:
"A roupa vai ficar toda molhada"

E eu já aqui sentado
Procurando palavras pra digitar
Uma poesia sobre a chuva
Que acabara de começar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Borrões

As coisas já não eram mais tão claras, ou melhor tão nítidas. Olhava em volta e tudo que via era um monte de borrões, não entendia o motivo disso sempre enxerguei claramente e por que agora tudo não passa de um borrão.


Ta foda não consigo manter o foco, olho pra um velho conhecido no lado da rua e é como se fosse qualquer um, porque tudo agora parece ser a mesma coisa exceto por um detalhe ou outro, mas no geral continuam sendo borrões.
Já estava começando a ficar preocupado e então fui ao médico descobrir o que havia de errado comigo:

— Bom dia, o que houve com você?

— Bom dia doutor, bom é que não vejo mais as coisas como antes.

— Isso é normal, a gente muda de opinião de sobre algumas coisas com o tempo.

— Não é isso doutor, é que as coisas já não são tão claras pra mim.

— Ah normal também, todo mundo tem dúvidas.

— Também não é isso, é que simplesmente eu não consigo ver o que está acontecendo ao meu redor, não 
sei quem vem ou o que vem, nem quem vai ou o que vai. Não vejo nada a frente.

— É… você quer ver o futuro, é isso?

— … não doutor.

— Olha vamos fazer uns exames, assim fica mais fácil diagnosticar.

— Ta bom.


— Então doutor é grave?

— Haha, agora entendi tudo.

— O que é?

— Você tem miopia, ta aqui a receita, já pode encomendar os óculos.


E assim meu mundo voltou a ser nítido de novo.

O amor passageiro

Em mais um dia comum, eu no onibus, sentado olhando pela janela, com meus fones no ouvido, boné na cabeça, o onibus tava vazio coisa rara aqui, paramos num ponto e entrou uma mulher, mas não uma mulher qualquer mas a mais linda que ja vi (não vou descreve-la mas era linda), pra minha surpresa se sentou ao meu lado mesmo o onibus estando vazio, olhou pra mim e eu olhei pra ela, começamos a conversar, tinhamos gostos parecidos, ficamos por muito tempo conversando até chegar no ponto dela, mas antes de descer me deu seu telefone e disse: me liga ta, gostei de conversar com você. Liguei ja no dia seguinte e convidei ela pra sair (não me importava pra onde só queria ve-la de novo):

-Que tal um cinema? - disse ela.

-Ah beleza, a gente pode ir na sessão das oito horas.

-Ta bom, te vejo no shopping.

E foi lá mesmo durante o filme que rolou o nosso primeiro beijo, depois disso passamos a sair quase todos os dias e cada vez mais nos apaixonando e como consequência começamos a namorar e anos depois pedi sua mão em casamento, foi lindo. Tivemos 3 filhos sempre quis ser pai, e mesmo depois de tanto tempo de casado ainda nos amavamos, a vida estava maravilhosa, tudo estava dando certo pra mim.
Até que me assustei e me dei conta de que o onibus estava parado no meu ponto, olho pra frente e vejo o motorista ja engatando a marcha pra sair, levanto depressa e grito:

-Peraí motorista eu vou descer aqui.


A verdade é que aquela mulher não se sentou do meu lado tão pouco olhou pra mim e nem nada do que escrevi, tudo isso foi um devaneio de uma mente fertil, enfim, desci do onibus e fui trabalhar, ta foda, eu tenho que parar de viajar.